Porquê o CVI?

Centro de Vida Independente – Organização autónoma dos destinatários

A implementação de um sistema de Vida Independente implica uma mudança profunda de paradigma em relação às práticas existentes. A participação num sistema deste género implicará, para a maioria dos utilizadores, uma mudança radical do seu quotidiano. Passarão a ter o controlo das suas vidas, o que significa que passarão, também, a ser responsáveis por elas.

É possível que nem todos os potenciais participantes no Projeto Piloto estejam preparados para esta situação. Sendo importante, por isso, que o modelo de gestão do Projeto Piloto consiga gerar oportunidades para que algumas pessoas com deficiência com experiência na autogestão da assistência pessoal possam dar apoio a outras pessoas com deficiência que desejem iniciar um processo de emancipação.

Através de dinâmicas de apoio interpares estimular-se-á a participação e a autoconfiança, promovendo a autodeterminação e a emancipação face aos profissionais e familiares.

Outra dimensão relevante é a do empowerment. Para ser genuíno e eficaz, o empowerment do indivíduo tem de ser acompanhados pelo empowerment do seu grupo de pertença. O conhecido lema “nada sobre nós,sem nós” deve ter um reflexo evidente e tão profundo quanto possível nos processos de gestão corrente do Projeto Piloto. Até porque, por razões estruturais, uma entidade como a CML não tem vocação para assumir esse tipo de gestão.

Tendo em consideração estes factores, afigura-se como mais conveniente que o Projeto Piloto seja promovido e gerido coletivamente pelos futuros utilizadores e outras pessoas com deficiência com mais experiência, organizadas num Centro de Vida Independente (CVI).

O CVI deve ser uma organização sem fins lucrativos, constituída e dirigida por pessoas com deficiência, que terá por finalidade específica a gestão de sistemas de Vida Independente.

Sendo o CVI responsável pela gestão do Projeto Piloto, estarão criadas condições de base para um processo de empowerment (pois os utilizadores serão responsáveis por todas as decisões) e para o fomento do apoio interpares.
Acresce que a própria criação do CVI será uma ação que, dependendo das pessoas com deficiência, é indispensável para dar sentido e permitir o avanço do Projeto Piloto.

Missão

Para operacionalizar o presente Projeto Piloto, o CVI deve ser capaz de levar a cabo uma missão composta pelas seguintes funções:

Em primeiro lugar, definir e gerir, de forma coletiva, diversas questões especificamente relacionadas com a prestação de assistência pessoal:

• Apoio ao recrutamento de assistentes pessoais (caso o utilizador o solicite), ao nível da procura e dos processos de seleção (por ex., elaboração de guião e ou acompanhamento das entrevistas de seleção, etc.);
• Apoio à identificação de necessidades de formação dos assistentes pessoais (em conjunto com os utilizadores) e à definição dos conteúdos dessa formação;
• Apoio (caso o utilizador o solicite) à gestão individual da relação laboral entre o utilizador e o assistente pessoal (pagamentos, controlo do cumprimento de horários e qualidade da assistência, etc.);
• Definição e gestão dos aspectos coletivos da prestação de assistência pessoal (definição e operacionalização de valores de referência, processos de pagamento de impostos, contribuições e seguros de trabalho, etc.).

Em segundo lugar, fomentar o diálogo e apoio interpares, especialmente entre os participantes no Projeto Piloto.

Em terceiro lugar, apoiar e participar na avaliação do Projeto Piloto, estabelecendo e alimentando um quadro de indicadores e promovendo reuniões regulares com os utilizadores para aferir da sua satisfação com o serviço e identificar aspectos positivos e negativos dos moldes de funcionamento do Sistema. Estes elementos deverão constar de relatórios de acompanhamento regulares.

Para além destas questões, directamente relacionadas com o Projeto Piloto, o CVI poderá também intervir noutras áreas que proporcionem uma melhoria da qualidade de vida dos seus elementos ou da população com deficiência em geral.

One Comment

  1. Sou um deficiente que necessita de apoio financeiro mas não necessito de Assistente Pessoal.
    Com pouco mais de 250€ da pensão de invalidez ninguém consegue viver.
    O emprego está difícil e eu não tenho meios de o conseguir.

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